TENHO VOLTADO PARA MIM



Tenho voltado para mim.

Não como quem retorna ao lugar de onde partiu,

mas como quem finalmente encontra, dentro de si,

uma mulher que ainda não conhecia por inteiro.

A menina permanece aqui 

com seus sonhos delicados, seus medos secretos

e essa forma quase inocente de acreditar no amor.

Mas já não é ela quem caminha sozinha.

Agora há uma mulher.

Uma mulher que aprendeu a transformar feridas em consciência,

silêncios em voz

e despedidas em novos começos.

Meu corpo já não pede licença para existir.

Ele floresce, se move e desperta.

Carrega uma sensualidade que não nasce do olhar de alguém,

mas do prazer de pertencer a mim mesma.

Estou mudando de pele,

abandonando versões que já não me cabem

e acolhendo, com ternura, tudo o que estou me tornando.

Talvez crescer seja isso:

não deixar a menina para trás,

mas tomá-la pela mão

e ensiná-la a habitar, sem medo,

a mulher que sempre viveu dentro dela.

Eu não estou voltando a ser quem era.

Estou voltando para mim 

mais inteira, mais feminina, mais consciente,

mais dona dos meus desejos,

das minhas escolhas

e da minha própria história.


JP

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