A DÚVIDA É MÁGICA
Criadora e criatura se confundem e se misturam de uma forma bela Quando escrevo, não conto apenas o que vivi conto também o que poderia ter vivido, o que desejei em segredo, o que sonhei por um instante e até aquilo que nunca aconteceu. Ainda assim, eu fico. Eu sinto. Eu me atravesso em cada palavra, mesmo quando a história não é minha. E, aos poucos, já não sei onde termina a mulher que escreve e onde começa a personagem inventada. Criadora e criatura se confundem, trocam de pele, de desejo, de memória, até que uma já não possa existir sem a outra. Quem lê tenta descobrir se foi passado, presente, fantasia ou confissão disfarçada. Mas ninguém precisa saber. Porque a beleza da escrita não está em revelar toda a verdade, mas em deixar uma fresta aberta entre o real e o imaginado. Talvez eu tenha vivido. Talvez eu esteja vivendo. Talvez eu apenas tenha sentido com tanta intensidade que a invenção adquiriu lembranças. Eu escrevo para permanecer at...


